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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Reflexão: Evangelho do dia 23 de outubro (Lucas 12,35-38)

Jesus sabia motivar seus Apóstolos!

        No Evangelho de hoje, Jesus nos diz para ficarmos de alerta. A expressão "Que vossos rins estejam cingidos..." significa para estarmos em estado de prontidão para quando Ele chegar. Antigamente, quando se usavam longas túnicas, que atrapalhavam os movimentos, usavam-se faixas em torno do abdome, na altura dos rins, para prender a túnica e facilitar os movimentos. "...e as lâmpadas acesas." Tem o mesmo significado. Devemos permanecer em estado de prontidão, com a lâmpada acesa, para quando Ele chegar, sem aviso, não haverá tempo para providenciar pavio, óleo, acender a lâmpada...

        "Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater." Quando o noivo chega em casa, depois do casamento, chega com a noiva nos braços. Como ele vai conseguir abrir a porta se as mãos estão ocupadas? Ele vai bater à porta e os homens devem estar atentos para lhes abrir a porta IMEDIATAMENTE!

        Observe como a mensagem de hoje é clara e objetiva: não sabemos o dia em que iremos morrer, ou que o Senhor Jesus irá voltar. Portanto, devemos estar preparados o tempo todo para a volta dEle. "Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá." Já imaginou como será maravilhoso? Quem estiver preparado para a chegada de Jesus, será servido por Ele. Em Lucas 17,5-10, que refletimos no dia 07 de outubro, Jesus nos disse que o "patrão" não precisaria nem agradecer aos empregados, pois eles não fizeram nada além da sua obrigação, no entanto, hoje Ele nos diz que irá se preparar ("cingir os rins"), vai fazê-los sentar-se à mesa, e servi-los. Existe maior exemplo de humildade? Ele nem precisaria agradecer, mas vai muito além do agradecimento: Ele mesmo faz questão de servir. Quantos patrões, nesse mundo, desceriam do seu pedestal, para sentar seus empregados à mesa e servi-los, por eles terem cumprido suas obrigações? E por que Jesus faz isso? Porque Jesus, diferente de nós, sabe valorizar as pessoas, sem a preocupação de parecer fraco ou de "perder a autoridade" diante dos seus amigos. Isso motiva as pessoas. E um verdadeiro líder sabe da necessidade que seus liderados queiram desempenhar as suas funções.

        Dale Carnegie escreveu um dos livros mais vendidos no mundo na década de 1950. Neste livro, ele diz que só existe uma forma de conseguir que alguém faça alguma coisa: conseguir que a outra pessoa queira fazer. Pense nisso... Logo abaixo segue a transcrição do Capítulo II desse fantástico livro. Para quem interessar, o livro pode ser baixado clicando aqui. Boa leitura!

 

Jailson Ferreira

jailsonfisio@hotmail.com

Obs.: O link de ontem, com a pregação do Padre Léo, já foi consertado. Vale a pena ver a Reflexão de ontem.

 

CAPÍTULO II

O grande segredo de tratar com as pessoas

Sob o firmamento existe apenas um meio de conseguir que alguém faça alguma coisa. Você já meditou alguma vez nisto? Sim, apenas um único meio. E este meio é conseguir que a outra pessoa queira fazer. Lembre-se: não existe outro caminho.

Naturalmente você pode fazer com que um homem lhe dê seu relógio achegando-lhe um revólver sobre as costelas. Pode obter de um empregado a sua colaboração -- até você virar as costas - ameaçando-o com a despedida. Pode levar uma criança a fazer o que você deseja por meio de pancadas ou ameaças. Mas todos estes métodos cruéis têm repercussões profundamente indesejáveis.

O único processo pelo qual posso conseguir que você faça alguma coisa é dando-lhe o que você quer.

Que quer você?

Sigmund Freud disse que tudo em você e em mim emana de dois motivos: a necessidade sexual e o desejo de ser grande. John Dewey, o mais profundo dos filósofos da América, opina um pouco diferentemente. Diz que a mais profunda das solicitações na natureza humana é "o desejo de ser importante" Guarde esta frase: "o desejo de ser importante". É ela muito significativa. Você vai ouvir bastante acerca da mesma neste livro.

Que quer você? Não muitas coisas, mas as poucas coisas que você deseja apresentam-se com uma insistência que não poderá ser negada. Quase todo adulto normal deseja:

1. Saúde e preservação da vida.

2. Alimento.

3. Repouso.

4. Dinheiro e as coisas que o dinheiro pode proporcionar.

5. Vida futura.

6. Satisfação sexual.

7. O bem-estar dos filhos.

8. Uma sensação de importância.

Quase todos esses desejos são satisfeitos - todos, menos um. Existe um que se apresenta quase tão profundo, quase tão imperioso como o desejo de alimento ou de repouso e que raramente é satisfeito. É o que Freud chama "o desejo de ser grande", é o que Dewey designa por "desejo de ser importante".

Certa feita Lincoln começou uma carta dizendo: "Todos gostam de um cumprimento". William James disse: "0 mais profundo princípio da natureza humana é a ânsia de ser apreciado". Ele não falou, veja bem, do "desejo" ou da "vontade", ou da "aspiração" de ser apreciado. Falou na "ânsia" de ser apreciado.

Aqui está uma espécie de fome humana insaciável, e os poucos indivíduos que honestamente satisfazem esta avidez tão enraizada no coração terão as pessoas na palma da sua mão e "mesmo o proprietário de uma empresa funerária fica triste quando elas morrem".

0 desejo de sentir-se importante é uma das principais diferenças entre as pessoas e os animais. Para ilustrar: Quando eu era um rapazola, na fazenda, em Missuri, meu pai criava porcos de pura raça Duroc-Jersey e gado com o melhor pedigree de focinho branco. Costumávamos expor nossos porcos e nosso gado "focinho branco" nas feiras e nas exposições de rebanhos do Middle West. Conseguimos primeiros lugares várias vezes.

Meu pai prendia as fitas azuis (símbolos da mais alta distinção) num pedaço de musselina branca, e, quando recebíamos visitas, ia,logo buscar o pedaço de musselina. Meu pai segurava numa extremidade e eu na outra quando exibíamos as fitas azuis.

Os porcos não ligavam às fitas azuis que ganhavam. Meu pai, porém, dava-lhes grande valor. Tais prêmios lhe ensejavam muita importância.

Se os nossos antepassados não tivessem tido este vivo desejo de se sentirem importantes, a civilização teria sido impossível. Sem ele, seríamos apenas como os animais. Foi o desejo de ser importante que levou um empregado num armazém, pobre e sem ilustração, a estudar alguns livros de direito que encontrara no fundo de uma barrica de objetos pessoais descartados e que comprara por cinqüenta centavos. Você, por certo, já ouviu falar deste empregado de armazém. Chamava-se Lincoln.

Foi esse desejo de ser importante que inspirou Dickens a escrever suas novelas imortais. Tal desejo inspirou Sir Christopher Wren a gravar suas sinfonias na pedra. 0 mesmo desejo levou Rockefeller a juntar milhões que jamais gastou! E este mesmo desejo fez o homem mais rico da sua cidade construir uma casa muito maior do que as suas necessidades.

Este desejo faz você querer usar roupas da última moda, dirigir os últimos carros e falar sobre seus inteligentes filhos. É este desejo que leva muitos rapazes a se tornarem bandidos e assassinos. A média dos jovens criminosos de hoje, diz E. P. Mulrooney, antigo comissário de polícia de Nova York, tem o ego inflado, e seu primeiro pedido depois da prisão é ver os jornais que deles fazem heróis. A desagradável perspectiva de cumprir uma sentença na prisão parece remota desde que ele possa admirar sua fotografia ocupando espaços ao lado de retratos de esportistas famosos, astros de cinema e televisão e políticos.

Se você me disser que se sente importante eu lhe direi quem é você. Isto determina o seu caráter. É a coisa mais significativa sobre você. Por exemplo, John D. Rockefeller satisfazia seu desejo de importância dando dinheiro para erigir um hospital moderno em Pequim, na China, para cuidar de milhões de pessoas pobres, as quais nunca viu nem veria. Dillinger, por outro lado, satisfazia o desejo de ser importante sendo um bandido, um assaltante de bancos, um assassino. Quando os agentes do FBI andavam à sua procura ele apareceu numa casa de fazenda em Minessota e disse: "Eu sou Dillingerl' Sentia-se orgulhoso de ser o "Inimigo Público Número Um". "Eu não vou fazer-lhe mal algum, mas eu sou Dillinger", disse ele.

Sim, a única diferença fundamental entre Dillinger e Rockefeller é o modo como eles satisfaziam o desejo de importância.

A história está cheia de exemplos divertidos de pessoas famosas lutando para se sentirem importantes. Mesmo George Washington quis ser chamado "Sua Majestade, 0 Presidente dos Estados Unidos"; e Colombo pleiteou o título de "Almirante do Oceano e Vice-rei da índia". Catarina, a Grande, recusou abrir cartas que não eram endereçadas a "Sua Imperial Majestade"; e a Sr. Lincoln, na Casa Branca, virou-se para a Sr. Grant como uma fera e gritou: "Como ousa estar sentada em minha presença antes de meu convite?"

Nossos milionários ajudaram financeiramente a expedição do Almirante Byrd ao Pólo Antártico na certeza de que várias montanhas de gelo seriam chamadas com os seus nomes; Vítor Hugo aspirou a ter nada menos do que a cidade de Paris com outro nome em sua honra. Mesmo Shakespeare, o mais poderoso dos poderosos, procurou aumentar o fausto do seu nome, buscando um brasão para sua família.

Muitas pessoas se tornaram enfermas com a finalidade de conquistar simpatia e atenção, e desfrutar um ar de importância. Tomemos, por exemplo, a Sr McKinley. Ela satisfez seu desejo

de importância, forçando o marido, o presidente dos Estados Unidos, a esquecer os importantes negócios do país enquanto ficava reclinado na cama a seu lado, durante horas, envolvendo-a nos braços, ninando-a para dormir. Alimentava seu absorvente desejo de merecer consideração, insistindo em que ele permanecesse a seu lado enquanto tratava dos dentes; e, certa feita, criou uma cena tempestuosa quando McKinley a deixou só com o dentista enquanto tornava uns apontamentos com John Hay, seu primeiro-ministro.

Mary Roberts Rinehart contou-me uma vez que uma inteligente e forte jovem adoecera com o fim de desfrutar a consideração e os cuidados de sua família. "Um dia", disse a Sr Rinehart, "esta mulher teve que encarar qualquer coisa, sua idade talvez". Os anos solitários já haviam passado e tinha ela que esperar muito pouco da vida.

"Foi para a cama e, por dez anos, sua velha mãe subiu e desceu para o terceiro andar, levando-lhe bandejas, como enfermeira. Mas, um dia, a velha senhora, cansada com tal serviço, foi para a cama e morreu. Por algumas semanas a enferma definhou; resolveu levantar-se, vestiu-se e recomeçou a viver".

Certas autoridades declaram que algumas pessoas atualmente se tornam doentes muita vez para encontrar na terra dos sonhos da insanidade a consideração que lhes fora negada no áspero mundo das realidades. Existem mais pacientes sofrendo das faculdades mentais nos hospitais dos Estados Unidos que de todas as outras doenças conjuntamente.

Qual a causa da insanidade?

Ninguém pode, por certo, responder a uma pergunta tão vasta como esta, mas nós sabemos que certas doenças, como a sífilis, atacam e destroem as células do cérebro, causando a loucura. De fato, metade de todas as doenças mentais pode ser atribuída a causas físicas tais como lesões cerebrais, álcool, tóxicos e ferimentos. Mas, a outra metade - e essa metade é a parte mais terrível do caso - a outra metade das pessoas que se tornam insanas mentalmente, pelo menos na aparência, nada de anormal apresenta organicamente nas suas células cerebrais.

Nas neuroscopias, quando estudados por meio de microscópios da mais alta potência, os tecidos cerebrais mostram-se perfeitos, tão saudáveis como os seus e como os meus.

Por que esta gente se torna atacada das faculdades mentais?

Formulei recentemente esta pergunta ao médico-chefe de um dos nossos mais importantes hospitais para loucos. Este doutor, que recebera as mais altas honrarias e os mais ambicionados títulos pelo valor dos seus conhecimentos no campo da psiquiatria, confessou-me, com toda a franqueza, que ele mesmo não sabia porque as pessoas se tornavam insanas. Decerto ninguém sabe. Mas disse que muita gente se torna assim porque encontra na insanidade a satisfação da consideração que sempre almejou e que não teve facilidade de encontrar no mundo real. Contou-me, então, o seguinte caso:

"Tenho agora uma cliente cujo casamento foi uma verdadeira tragédia. Ela queria amor, satisfação sexual, filhos e prestígio social; mas a vida trouxe-lhe o aniquilamento de todas as esperanças. Seu marido não a amava. Recusava-se mesmo a fazer as refeições com ela, obrigando-a a servir os alimentos no próprio quarto. Ela não teve filhos, nem destaque social. Tornou-se louca; e, em sua imaginação, divorciou-se do marido e retomou seu nome de solteira. Acredita agora que se consorciou na alta aristocracia britânica e faz questão de ser chamada de Lady Smith.

"No tocante aos filhos imagina que tem um novo bebê cada noite. Sempre que chego para visitá-la, diz-me: `Doutor, tive um filhinho a noite passada. Uma vez desfeita a vida, todos os barcos dos sonhos se esbatem nas rochas ásperas da realidade; mas, nas encantadoras e fantásticas ilhas da loucura, todas as suas galeras correm para o porto, velas enfunadas e o vento assobiando em torno dos mastros.

Trágico? Oh, não sei. Seu médico me disse: "Se eu pudesse com minhas mãos restituir sua sanidade mental, não o faria. Ela é muito mais feliz assim como está".

Se muitas pessoas vivem tão desejosas de consideração que chegam a se tornar desequilibradas mentalmente para conseguir o seu intento, imagine que milagres poderemos realizar dando às pessoas uma apreciação honesta deste aspecto da insanidade.

Um dos primeiros homens da área comercial nos Estados Unidos a receber um salário superior a um milhão de dólares anualmente (numa época em que não havia imposto de renda e em que um indivíduo que recebesse cinqüenta dólares semanais era considerado de boa situação) foi Charles Schwab. Andrew Carnegie escolheu-o para ser o primeiro presidente da recém fundada United States Steel Company, em 1921, quando Schwab contava apenas 38 anos de idade. (Posteriormente Schwab deixou a US Steel e foi dirigir a Bethlehem Steel Company, então em má situação, e dela fez uma das empresas mais bem sucedidas dos Estados Unidos.)

Por que Andrew Carnegie pagava a Schwab mais de 3 mil dólares por dia? Por quê? Por que Schwab era um gênio? Não. Por que ele conhecia mais sobre a manufatura do aço que outras pessoas? Tolice. Charles Schwab disse-me que tinha muitos homens trabalhando para si que conheciam mais sobre a manufatura do aço que ele.

Segundo Schwab, a razão de perceber um salário tão elevado era a sua habilidade no tratar com as pessoas. Perguntei-lhe como fazia isto. Eis o segredo, exposto por suas próprias palavras - palavras que deviam ser gravadas na eternidade do bronze e postas em cada lar e escola, em todas as lojas e em todos os escritórios da terra, palavras que as crianças deviam decorar ao invés de gastar o seu tempo decorando a conjugação dos verbos latinos ou a quantidade das chuvas anuais, palavras, enfim, que transformarão a sua e a minha vida, caso nós resolvamos segui-las:

"Considero minha habilidade em despertar o entusiasmo entre os homens", disse Schwab, "a maior força que possuo, e o meio mais eficiente para desenvolver o que de melhor há em homem é a apreciação e o encorajamento".

"Não há meio mais capaz de matar as ambições de um homem do que a crítica dos seus superiores. Nunca critico quem der que seja. Acredito no incentivo que se dá a um homem pra trabalhar. Assim, sempre estou ansioso para elogiar, mas repugna-me descobrir faltas. Se gosto de alguma coisa, sou sincero na minha aprovação e pródigo no meu elogio."

Eis o que Schwab fazia. Mas o que faz a média dos homens? Exatamente o oposto. Se não gosta de qualquer coisa, investe contra o subordinado; mas, se gosta, não diz coisa alguma. Como reza um dito: "O mal fiz uma vez, e nisso sempre falaram; o bem fiz duas vezes, mas nisso nunca falaram".

"Tenho viajado muito na minha vida, e tenho encontrado grandes homens em várias partes do mundo", declarou Schwab, "mas ainda estou para encontrar o homem, seja qual for a sua situação, que não tenha feito melhor trabalho e nele posto maiores esforços sob um espírito de aprovação do que se tivesse de fazê-lo sob o espírito da crítica."

Isto, disse ele francamente, foi uma das principais razões do fenomenal sucesso de Andrew Carnegie. Carnegie elogiava seus associados publicamente, do mesmo modo que o fazia em

particular.

Carnegie fez questão de elogiar seus assistentes até mesmo na sua sepultura. Escreveu para si mesmo um epitáfio que diz: "Aqui jaz um homem que soube ter junto a si homens que eram

mais inteligentes que ele".

A apreciação sincera foi um dos segredos do sucesso de Rockefeller no conduzir os homens. Por exemplo: Quando um dos seus sócios, Edward T. Bedford, cometeu um erro e a firma perdeu um milhão de dólares numa compra mal realizada na América do Sul, John Rockefeller podia ter feito qualquer crítica; mas sabia que Bedford havia feito o possível, e o incidente foi encerrado. Assim mesmo Rockefeller ainda encontrou alguma coisa a elogiar; congratulou-se com Bedford porque conseguiu salvar 60% do dinheiro que havia investido na compra.

"Isto é esplêndido", disse Rockefeller. "Nós não podemos fazer sempre as coisas conseguindo lucros certos."

Tenho no meu arquivo uma história que, sei bem, nunca aconteceu, mas que, por ilustrar uma verdade, vou repeti-la aqui De acordo com esta anedota, uma lavradora, depois de um duro dia de trabalho, colocou na mesa, na frente de seus companheiros, um monte de feno. Quando, indignados, perguntaram-lhe se tinha enlouquecido, ela retrucou: "Ora, como é que eu ia saber que poriam reparo? Faz vinte anos que venho cozinhando para vocês e durante todo esse tempo nunca abriram a boca para dizer que não queriam comer feno".

Quando, há poucos anos atrás, se realizou um estudo sobre esposas que abandonavam os maridos, qual foi a conclusão a que se chegou? "Falta de reconhecimento". E posso até mesmo testar que um estudo sobre os maridos que abandonam as esposas levaria à mesma conclusão. Em geral nos acostumamos tato com a presença de nossas esposas, que nunca nos lembramos de dizer-lhes o quanto as estimamos.

Um membro de uma de nossas classes relatou-nos a respeito de um pedido feito por sua esposa. Ela e um grupo de companheiras da igreja estavam seguindo um programa de auto-aperfeiçoamento. A mulher solicitou ao marido que a ajudasse elaborando uma relação com as seis coisas que, segundo ele, ela poderia fazer para se tornar uma esposa mais eficiente. Ele relatou à classe: "Esse pedido me deixou surpreso. Francamente, não me teria sido difícil relacionar seis coisas nas quais gostaria que ela mudasse - e ela, por sua vez, poderia ter relacionado milhares de coisas em que eu poderia mudar -, mas não o fiz. Em vez disso, disse-lhe: `Vou pensar nisso e amanhã pela manhã dou uma resposta'. "Na manhã seguinte, levantei-me muito cedo, liguei para uma floricultura e pedi que entregassem seis rosas vermelhas à minha esposa, acompanhadas de um cartão com os dizeres: `Não consigo me lembrar de seis coisas em que você poderia mudar. Eu a amo do jeitinho que você é'.

"Quando cheguei em casa naquela noite, adivinhem quem me recebeu à porta? Exatamente. Minha esposa! Estava quase chorando. Nem preciso dizer, fiquei extremamente contente por não tê-la criticado como me pedira. "No domingo seguinte, na igreja, após minha esposa apresentar os resultados de sua missão, muitas das mulheres com quem ela estudava procuraram-me e - disseram: `Foi o gesto mais cortês que vi em toda a minha vida'. A partir de então compreendi que poder tem a apreciação."

Ziegfield, o mais espetacular produtor teatral que já encantou a Broadway, conseguiu tal reputação pela sua sutil habilidade em glorificar a garota americana. Conseguia repetidamente transformar desalinhadas criaturinhas que ninguém olharia duas vezes, no teatro, numa visão encantadora de mistério e sedução. Conhecendo o valor da apreciação e da confiança, ele fazia as mulheres sentirem-se belas pelo penetrante poder dos seus galanteios e considerações. Era prático: aumentava o salário de suas coristas de 30 dólares por semana a 175. E também era cavalheiresco: na noite de abertura das Follies, mandava um telegrama às estrelas nos seus camarins, e cobria cada corista, no espetáculo, com rosas "American Beauty".

Certa feita fui inteiramente dominado pelo fastio e passei seis dias e seis noites sem comer. Não foi coisa difícil de suportar. Eu estava com menos fome no fim do sexto dia do que no fim do segundo. Conheço, entretanto, e você também, pessoas que pensariam haver cometido um crime se deixassem suas famílias ou empregados sem alimento durante seis dias; mas elas deixarão por seis dias, seis semanas e muita vez sessenta anos sem lhes prestar uma sincera consideração, coisa que eles desejam tanto como a alimentação.

Disse Alfred Lunt quando desempenhou o principal papel em Reunion in Vienna (Reunião de Viena): "Nada há que eu necessite tanto como estímulos para minha vaidade".

Alimentamos os corpos de nossos filhos, amigos e empregados, mas apenas esporadicamente alimentamos sua vaidade. Nós lhes damos um bife com batatas para adquirirem energia, mas nos descuramos de dar-lhes as palavras de estímulo que ecoarão nas suas memórias como a música das estrelas matutinas.

Paul Harvey, num de seus programas de rádio, "O resto da história", mostrou como uma apreciação sincera consegue modificar a vida de uma pessoa. Contou que, anos atrás, uma professora de Detroit solicitou a Stevie Morris que a ajudasse a procurar um camundongo que estava solto na sala de aula.

Entenda-se: ela apreciava o fato de que a natureza havia dado a Stevie algo que na sala ninguém possuía. A natureza havia dado a Stevie um aguçado par de ouvidos para compensar sua cegueira. De fato, era aquela a primeira vez que alguém reconhecia a capacidade de seus ouvidos. Hoje, após muitos anos, ele afirma que aquele ato de consideração iniciava uma nova vida. A partir daquele momento, começou a desenvolver seu dom auditivo e esforçou-se por se tornar, sob o nome artístico de Stevie Wonder, um dos maiores cantores e compositores de música popular dos anos 70(*).

Alguns leitores estão dizendo justamente agora que acabam de ler estas linhas: "Isto não passa de tolices! Isto não dá resultado algum a não ser com pessoas atrasadas".

Por certo que a bajulação raramente produz efeito com gente de discernimento. É frívola, egoísta e insincera. Deve falhar e constantemente acontece isso. Muitas pessoas se acham tão famintas, tão sedentas por apreciação que aceitam qualquer coisa, do mesmo modo que o homem que está morrendo à fome come até capim e minhocas.

Mesmo a Rainha Vitória era suscetível à galanteria e à lisonja. 0 primeiro-ministro Benjamin Disraeli confessou que sempre as empregava um pouco quando tratava com a rainha. Usando suas próprias palavras disse ele: "Espalhava-as como o pedreiro, com a trolha". Mas Disraeli foi um dos homens mais polidos, mais galantes e mais corretos que já governaram o grande Império Britânico. Foi um gênio na sua esfera. 0 que teria eficiência para ele, necessariamente para você e para mim não teria valor. No trato diário, a bajulação far-lhe-á mais mal que bem. Lisonja é falsificação e, como dinheiro falsificado, poderá causar-lhe transtornos se tentar passá-los adiante.

 

*  Paul Aurandt, Paul Harvay's the Rert of the Stony ( New York:

Doubleday, 1977). Editado e compilado por Lynne Harvey. Copyright Oc Paulynne, Inc.

 

A diferença entre o elogio e a bajulação? É simples. Um sincero e a outra insincera. Um vem do coração; a outra da boca para fora. Um é altruísta; a outra é egoísta. Um é universalmente admirado; a outra universalmente condenada.

Vi há pouco tempo um busto do herói mexicano general Alvaro Obregon no Palácio Chapultepec, na cidade do México. Embaixo do busto estavam gravadas as seguintes sábias palavras da filosofia do general Obregon: "Não tenha medo dos inimigos que o atacam. Tenha medo dos amigos que o bajulam".

Não! Não! Não! Não estou sugerindo a bajulação. Longe disso. Estou falando sobre um novo modo de viver. Deixe-me repetir. Estou falando sobre um novo modo de viver.

0 Rei Jorge V tinha uma série de seis máximas espalhadas nas paredes da sua sala de estudos, no Palácio de Buckingham. Uma das máximas dizia: "Ensine-me a não fazer, nem receber elogio barato". Está aí tudo em que consiste a bajulação: elogio barato. Li certa vez uma definição da bajulação que merece ser repetida: "Bajulação consiste em dizer a um outro homem justamente o que ele pensa acerca de si mesmo".

"Use a linguagem que quiser", disse Ralph Waldo Emerson, "mas você nunca poderá dizer senão o que você é."

Se tudo que tivéssemos de fazer fosse usar a bajulação, todos fariam o mesmo e todos seriam técnicos em relações humanas.

Quando não temos o nosso pensamento absorvido em algum problema definitivo, geralmente gastamos 95% do nosso tempo pensando em nós mesmos. Agora, se deixarmos de pensar em nós mesmos por um momento e começarmos a pensar nos pontos bons de um outro homem, não necessitaremos de nos valer da bajulação tão barata e falsa que pode ser motivo de zombaria, quase antes de sair da boca.

Uma das virtudes mais negligenciadas no nosso dia-a-dia é a valorização. Às vezes, por algum motivo, descuidamos de fazer um elogio a um filho ou a uma filha quando nos apresentam suas boas notas, e deixamos de incentivar nossas crianças quando pela primeira vez fazem um bolo ou constroem uma gaiola de passarinho. Nada alegra mais uma criança que este tipo de elogio e de interesse por parte dos pais.

Da próxima vez que você gostar do filet mignon que comer no restaurante do clube, peça ao garçom para dizer ao cozinheiro que ele estava excelente, e quando um vendedor cansado se mostrar de uma gentileza incomum, não esqueça de mencioná-la.

Todo pastor, conferencista ou orador sente a inutilidade de seu desempenho quando não recebe da audiência o menor comentário elogioso. 0 que se aplica a profissionais aplica-se duplamente àqueles que trabalham em escritórios, lojas e fábricas e aos nossos familiares e amigos. Nas nossas relações interpessoais, não devemos nos esquecer de que nossos companheiros são seres humanos e que, como tais, desejam ouvir uma palavra que os valorize. É a moeda legal que todas as almas apreciam.

Experimente deixar um rasto amistoso de pequenas centelhas de gratidão à sua passagem. Você se surpreenderá em ver como elas acendem chamas de amizade que alumiarão sua trajetória numa próxima visita.

Pamela Dunham, de Nova Fairfield, Connecticut, tinha, como responsabilidade de seu trabalho, que supervisionar um bedel que não vinha trabalhando como se esperava. Os outros empregados da firma zombavam dele e sujavam os corredores para provarem o péssimo serviço que ele prestava. A situação não era boa e a loja perdia em produtividade.

Pam, sem sucesso, procurou motivar esse homem. Notou, porém, que de quando em quando ele fazia bem determinado serviço. Fez questão de elogiá-lo por esses trabalhos bem feitos diante de todos os funcionários. Cada dia que passava, o trabalho dele foi melhorando e, em breve, muito em breve, tudo o que fazia resultava eficiente. Hoje ele é um funcionário excelente e todos o elogiam e fazem questão de reconhecê-lo. O elogio honesto obteve resultados onde a crítica e a ridicularização falharam.

Magoar as pessoas não apenas não as modificam, como jamais as despertam para suas atividades. Há um velho ditado que recortei e coloquei sobro o meu espelho, onde, inevitavelmente, sempre o vejo:

"Passarei por este caminho uma só vez; por isso, se existe qualquer bem ou qualquer gesto de bondade que eu possa fazer em benefício do ser humano, que eu faça já. Que eu não o adie ou negligencie, pois por aqui jamais passarei".

Emerson dizia: "Todo homem que encontro é superior a mim em alguma coisa. E neste particular eu aprendo dele".

Se isso era verdade para Emerson, não parece ser mil vezes mais para você e para mim? Deixemos de pensar nas nossas qualidades, nos nossos desejas. Experimentemos descobrir as qualidades boas de um outro homem. Esqueçamos então a bajulação. Façamos um honesto e sincero elogio. Seja "sincero na sua aprovação e pródigo no seu elogio e as pessoas prezarão suas palavras, guardando-as e repetindo-as durante toda a vida - repetindo-as anos depois, quando você já as tiver esquecido.

 



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